29 de abril de 2008

Edson Marques

Agora eu caminho com estrelas a bombordo e flores na cabeça.
Me esquecendo de umas coisas, me lembrando de outras,
cheio de tantas e vazio de muitas.

Navego respirando como se esse mar azul inflasse meus pulmões enlouquecidos. Tudo agora é claro e nada esclarecido, pois o dia é mais do que uma eterna madrugada.
Tudo nublado por uma doce névoa de gostosuras, liberdades, incertezas.
Tudo quente — e tudo frio ao mesmo tempo.

Meu espírito inspirado dança no meu próprio corpo.
Meu coração, luminoso, brilhante, colorido — me seduz e me conduz.
Se vou para o Norte ou para o Sul — acho que nunca mais vou saber.
Porque não é preciso saber, nos dois sentidos de saber e de preciso.
Nada agora é mais preciso do que agora é necessário.
Pois rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e perdi minha bússola...
Mas acabo de me encontrar: Abracei meu coração.

Edson Marques

25 de abril de 2008

Tô voltando...

Aja enquanto é tempo.
A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde.
Mas é uma tolice aguardar a dor cobrar a conta que o amor pode pagar.

16 de abril de 2008

Big Brother legislativo

Frei Betto*

As CPIs andam precisando recorrer à UTI para uma cirurgia reparadora. Agem como delegacia em inquérito policial. Fulanizam denúncias de corrupção, como se meter a mão em dinheiro escuso decorresse apenas de desvios de caráter. Esquecem que a ocasião faz o ladrão, e não questionam as instituições nem a própria legislação do país, pela qual os parlamentares são responsáveis. A exposição televisiva das CPIs fez delas uma espécie de Big Brother legislativo. O público fica de olho para ver quem vai para o paredão. Na onda do voyeurismo que assola o país, há uma perversa atração pelo espetáculo de humilhados e ofendidos por deputados que disputam a tapa as atenções da platéia de modo a angariar prestígio e votos. Prova disso é que poucos demonstram preparo para inquirir. Não investigam, não lêem relatórios, atuam movidos pelo ímpeto de destruir o partido adversário e blindar o próprio.
Uma casa legislativa não merece ser confundida com delegacia. Não condiz com a sua natureza pressionar os interrogados até que, sob tortura psicológica, passem à condição de réu. O ônus da prova cabe a quem acusa. A menos que o interrogado tome a iniciativa de admitir sua culpa, como ocorreu com vários acusados.
Não se pode reduzir a ética ao comportamento individual, como se fosse ele o único responsável pela corrupção. Há que levar em conta a teia de relações sociais e conexões institucionais configuradoras de realidade. Não basta identificar o corrupto, é preciso ir às causas da corrupção. Este o papel que distingue uma CPI de um inquérito policial.
Cabe ao Legislativo normatizar as instituições nacionais, imprimir-lhes legalidade, estabelecer seus direitos, deveres e limites, e também pesquisar as brechas na legislação que favorecem a corrupção. Como as empresas burlam o fisco e fazem caixa dois? Por que a facilidade em remeter fortunas ao exterior? O que dificulta a transparência na contabilidade dos partidos? Onde estão os furos nos financiamentos de campanhas? Por que tantas fraudes em licitações? Isso, sim, é legislar.
Uma CPI não deveria jamais encerrar seus trabalhos apresentando à nação um rol de suspeitos. Para não correr o risco de falso testemunho, melhor não nomeá-los se não há provas convincentes e contundentes. Toda pessoa, cuja honra é maculada levianamente em poucos minutos está fadada a passar o resto da vida tentando limpar o seu nome.
Cabe ao Ministério Público e à polícia investigar, apontar e punir os que comprovadamente infringiram a lei. As CPIs deveriam sobremaneira debruçar-se sobre o desempenho do Congresso e apurar as causas da corrupção, da malversação, da quebra do decoro parlamentar. E essas causas muitas vezes deitam raízes na própria legislação que rege as nossas instituições e que mais parece um queijo suíço, tantos os buracos pelos quais se introduz a ação criminosa. E a legislação tem sua origem no Congresso. Legislar é a função precípua dos que são eleitos parlamentares.
O povo tem o direito de fazer tudo que a lei não proíbe; contudo, as autoridades só deveriam fazer o que a lei permite. É desalentador ver uma CPI desaguar num mar de ilações, quando se esperava que, alertado por ela, o Congresso tomasse a si a tarefa de apressar a reforma política. O que é feito para impedir que partidos incorram novamente em maracutaias?
Desde que me entendo por gente observo que certas palavras resumem os paradigmas que mobilizam a nossa vida política. Nos anos 50/60, o tema era desenvolvimento; nos anos 70/80, democracia; nos anos 90, modernização; agora, ética.
A ética resvala para o moralismo udenista quando desvinculada da produção de sentido. Note-se que a moral tende a cair no moralismo, mas sequer existe o vocábulo ‘eticismo’. Porque a ética, tão bem enfatizada nas obras de Aristóteles, implica princípios universais, perenes, norteadores dos grandes projetos humanos. É ela que nos fornece os elementos para o "discernimento militante", como diz Emmanuel Mounier.
Se os nossos partidos políticos perdem de vista as estratégias históricas, trocam o projeto de nação pelo de eleição, deixam de produzir sentido à nação, e se tornam meros consórcios de disputa de poder, então a ética volatiliza-se na abstração dos discursos demagógicos e os políticos resvalam para o terreno da hipocrisia. Hipócrata era o ator que, no antigo teatro grego, fazia parte do coro que proclamava o contrário do que de fato ocorria no palco.
Mais grave que a corrupção é uma eleição desancorada de consistentes projetos capazes de fazer o Brasil não ter vergonha de si mesmo, de suas crianças consumidas pelo narcotráfico, de multidão deambulando sem-terra, enfim, projetos que alterem o mais grave de nossos problemas nacionais: a desigualdade social. Não é a um candidato que o eleitor quer dar o seu voto, é à esperança.


[Autor de "Calendário do poder" (Rocco), entre outros livros].

*Frei dominicano.

12 de abril de 2008

Os rumos...

Abril rompeu e se encaminha para ser um mês cheio de novidades! Nossos planejamentos vão indo bem.
Espero que daqui pra frente tenhamos muitas notícias boas!


4 de abril de 2008

Voz

Voz Que Se Cala

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...

Florbela Espanca

3 de abril de 2008

Qual será o próximo passo?

Leonardo Boff*

A situação atual da Terra e da Humanidade nos faz pensar. Consolidou-se a aldeia global. Ocupamos praticamente todo o espaço terrestre e exploramos o capital natural até os confins da matéria e da vida, com a utilização da razão instrumental-analítica.
A pergunta que se coloca agora é: qual será o próximo passo? Mais do mesmo? Mas isso é muito arriscado, pois o paradigma atual está assentado sobre o poder como dominação da natureza e dos seres humanos. Não devemos esquecer que ele criou a máquina de morte que pode destruir a todos nós e a vida de Gaia. Esse caminho parece ter-se esgotado. Do capital material temos que passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é ilimitado e inexaurível. Não há limites para o amor, a compaixão, o cuidado, a criatividade, realidades intangíveis que perfazem o capital espiritual.
Este foi parcamente explorado por nós. Mas ele pode representar a grande alternativa. A centralidade do capital espiritual reside na vida, na alegria, na relação inclusiva, no amor incondicional e na capacidade de transcendência. Não significa que tenhamos que dispensar a tecnociência. Sem ela não atenderíamos as demandas humanas. Mas ela não seria mais destrutiva da vida. Se no capital material a razão instrumental era seu motor, no capital espiritual é a razão cordial e sensível que organizará a vida social e a produção. Na razão cordial estão radicados os valores; dela se alimenta a vida espiritual pois produz as obras do espírito que referimos acima: o amor, a solidariedade e a transcendência.
Se no tempo dos dinossauros houvesse um observador hipotético que se perguntasse pelo próximo passo da evolução, provavelmente diria: o aparecimento de espécies de dinossauros ainda maiores e mais vorazes. Mas ele estaria enganado. Sequer imaginaria que de um pequeno mamífero que vivia na copa das árvores mais altas, alimentando-se de flores e de brotos e tremendo de medo de ser devorado pelos dinossauros, iria irromper, milhões de anos depois, algo absolutamente impensado: um ser de consciência e de inteligência - o ser humano - com uma qualidade totalmente diferente daquela dos dinossauros. Foi um passo diferente.
Cremos que agora poderá surgir um ser humano com outro passo, pois será marcado pelo inexaurível capital espiritual. Agora é o mundo do ser mais que o mundo do ter.
O próximo passo, então, seria exatamente este: descobrir o capital espiritual inesgotável e começar a organizar a vida, a produção, a sociedade e o cotidiano a partir dele. Então a economia estará a serviço da vida e a vida se imbuirá dos valores da alegria e da auto-realização, uma verdadeira alternativa ao paradigma vigente.
Mas este passo não é mecânico. É voluntário. Quer dizer, ele é oferecido à nossa liberdade. Podemos acolhe-lo como podemos também recusá-lo. Ele não se identifica com nenhuma religião. Ele é algo anterior, que emerge das virtualidades da evolução consciente. Quem o acolhe, viverá outro sentido de vida, vivenciará também um novo futuro. Os outros continuarão sofrendo os impasses do atual modo de ser e se perguntarão, angustiados, pelo seu futuro e até sobre o eventual desaparecimento da espécie humana.
Estimo que a atual crise mundial nos abre a possibilidade de um novo passo rumo a um modo de ser mais alto. Dizem por aí que Jesus, Francisco de Assis, Gandhi e tantos outros mestres do passado e do presente teriam, antecipadamente, dado já esse passo.


*Teólogo e professor emérito de ética da UERJ

2 de abril de 2008

Livros para deliciar-se


Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente ...

( Ed. De Bolso ) - 2ª Ed. 2006
Rubem Alves

Rubem Alves viaja no tempo e no espaço... entre as perdas e ganhos que temos durante a vida, recorrendo a memórias ora felizes, ora dolorosas, quase sempre com um toque de nostalgia que não é arrependimento, mas uma saudade gostosa de algo vivido em profundidade. Com extrema delicadeza chega ao coração e à mente de cada um, acordando em nós o desejo de aproveitar cada instante plenamente – pois nunca é tarde para a vida!








Ostra Feliz Não Faz Pérola - Rubem Alves
Editora: Planeta(brasil) - 2008
"Ostras felizes não fazem pérolas. Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade".









29 de abril de 2008

Edson Marques

Agora eu caminho com estrelas a bombordo e flores na cabeça.
Me esquecendo de umas coisas, me lembrando de outras,
cheio de tantas e vazio de muitas.

Navego respirando como se esse mar azul inflasse meus pulmões enlouquecidos. Tudo agora é claro e nada esclarecido, pois o dia é mais do que uma eterna madrugada.
Tudo nublado por uma doce névoa de gostosuras, liberdades, incertezas.
Tudo quente — e tudo frio ao mesmo tempo.

Meu espírito inspirado dança no meu próprio corpo.
Meu coração, luminoso, brilhante, colorido — me seduz e me conduz.
Se vou para o Norte ou para o Sul — acho que nunca mais vou saber.
Porque não é preciso saber, nos dois sentidos de saber e de preciso.
Nada agora é mais preciso do que agora é necessário.
Pois rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e perdi minha bússola...
Mas acabo de me encontrar: Abracei meu coração.

Edson Marques

28 de abril de 2008

25 de abril de 2008

Tô voltando...

Aja enquanto é tempo.
A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde.
Mas é uma tolice aguardar a dor cobrar a conta que o amor pode pagar.

16 de abril de 2008

Big Brother legislativo

Frei Betto*

As CPIs andam precisando recorrer à UTI para uma cirurgia reparadora. Agem como delegacia em inquérito policial. Fulanizam denúncias de corrupção, como se meter a mão em dinheiro escuso decorresse apenas de desvios de caráter. Esquecem que a ocasião faz o ladrão, e não questionam as instituições nem a própria legislação do país, pela qual os parlamentares são responsáveis. A exposição televisiva das CPIs fez delas uma espécie de Big Brother legislativo. O público fica de olho para ver quem vai para o paredão. Na onda do voyeurismo que assola o país, há uma perversa atração pelo espetáculo de humilhados e ofendidos por deputados que disputam a tapa as atenções da platéia de modo a angariar prestígio e votos. Prova disso é que poucos demonstram preparo para inquirir. Não investigam, não lêem relatórios, atuam movidos pelo ímpeto de destruir o partido adversário e blindar o próprio.
Uma casa legislativa não merece ser confundida com delegacia. Não condiz com a sua natureza pressionar os interrogados até que, sob tortura psicológica, passem à condição de réu. O ônus da prova cabe a quem acusa. A menos que o interrogado tome a iniciativa de admitir sua culpa, como ocorreu com vários acusados.
Não se pode reduzir a ética ao comportamento individual, como se fosse ele o único responsável pela corrupção. Há que levar em conta a teia de relações sociais e conexões institucionais configuradoras de realidade. Não basta identificar o corrupto, é preciso ir às causas da corrupção. Este o papel que distingue uma CPI de um inquérito policial.
Cabe ao Legislativo normatizar as instituições nacionais, imprimir-lhes legalidade, estabelecer seus direitos, deveres e limites, e também pesquisar as brechas na legislação que favorecem a corrupção. Como as empresas burlam o fisco e fazem caixa dois? Por que a facilidade em remeter fortunas ao exterior? O que dificulta a transparência na contabilidade dos partidos? Onde estão os furos nos financiamentos de campanhas? Por que tantas fraudes em licitações? Isso, sim, é legislar.
Uma CPI não deveria jamais encerrar seus trabalhos apresentando à nação um rol de suspeitos. Para não correr o risco de falso testemunho, melhor não nomeá-los se não há provas convincentes e contundentes. Toda pessoa, cuja honra é maculada levianamente em poucos minutos está fadada a passar o resto da vida tentando limpar o seu nome.
Cabe ao Ministério Público e à polícia investigar, apontar e punir os que comprovadamente infringiram a lei. As CPIs deveriam sobremaneira debruçar-se sobre o desempenho do Congresso e apurar as causas da corrupção, da malversação, da quebra do decoro parlamentar. E essas causas muitas vezes deitam raízes na própria legislação que rege as nossas instituições e que mais parece um queijo suíço, tantos os buracos pelos quais se introduz a ação criminosa. E a legislação tem sua origem no Congresso. Legislar é a função precípua dos que são eleitos parlamentares.
O povo tem o direito de fazer tudo que a lei não proíbe; contudo, as autoridades só deveriam fazer o que a lei permite. É desalentador ver uma CPI desaguar num mar de ilações, quando se esperava que, alertado por ela, o Congresso tomasse a si a tarefa de apressar a reforma política. O que é feito para impedir que partidos incorram novamente em maracutaias?
Desde que me entendo por gente observo que certas palavras resumem os paradigmas que mobilizam a nossa vida política. Nos anos 50/60, o tema era desenvolvimento; nos anos 70/80, democracia; nos anos 90, modernização; agora, ética.
A ética resvala para o moralismo udenista quando desvinculada da produção de sentido. Note-se que a moral tende a cair no moralismo, mas sequer existe o vocábulo ‘eticismo’. Porque a ética, tão bem enfatizada nas obras de Aristóteles, implica princípios universais, perenes, norteadores dos grandes projetos humanos. É ela que nos fornece os elementos para o "discernimento militante", como diz Emmanuel Mounier.
Se os nossos partidos políticos perdem de vista as estratégias históricas, trocam o projeto de nação pelo de eleição, deixam de produzir sentido à nação, e se tornam meros consórcios de disputa de poder, então a ética volatiliza-se na abstração dos discursos demagógicos e os políticos resvalam para o terreno da hipocrisia. Hipócrata era o ator que, no antigo teatro grego, fazia parte do coro que proclamava o contrário do que de fato ocorria no palco.
Mais grave que a corrupção é uma eleição desancorada de consistentes projetos capazes de fazer o Brasil não ter vergonha de si mesmo, de suas crianças consumidas pelo narcotráfico, de multidão deambulando sem-terra, enfim, projetos que alterem o mais grave de nossos problemas nacionais: a desigualdade social. Não é a um candidato que o eleitor quer dar o seu voto, é à esperança.


[Autor de "Calendário do poder" (Rocco), entre outros livros].

*Frei dominicano.

15 de abril de 2008

Cheiro

Ainda bem que nossos pensamentos não tem cheiro...


12 de abril de 2008

Os rumos...

Abril rompeu e se encaminha para ser um mês cheio de novidades! Nossos planejamentos vão indo bem.
Espero que daqui pra frente tenhamos muitas notícias boas!


11 de abril de 2008

Germinando

O ser humano tem o hábito de cultivar problemas...

8 de abril de 2008

Escolhas

A parte mais difícil da escolha é a renúncia.

4 de abril de 2008

Voz

Voz Que Se Cala

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...

Florbela Espanca

3 de abril de 2008

Qual será o próximo passo?

Leonardo Boff*

A situação atual da Terra e da Humanidade nos faz pensar. Consolidou-se a aldeia global. Ocupamos praticamente todo o espaço terrestre e exploramos o capital natural até os confins da matéria e da vida, com a utilização da razão instrumental-analítica.
A pergunta que se coloca agora é: qual será o próximo passo? Mais do mesmo? Mas isso é muito arriscado, pois o paradigma atual está assentado sobre o poder como dominação da natureza e dos seres humanos. Não devemos esquecer que ele criou a máquina de morte que pode destruir a todos nós e a vida de Gaia. Esse caminho parece ter-se esgotado. Do capital material temos que passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é ilimitado e inexaurível. Não há limites para o amor, a compaixão, o cuidado, a criatividade, realidades intangíveis que perfazem o capital espiritual.
Este foi parcamente explorado por nós. Mas ele pode representar a grande alternativa. A centralidade do capital espiritual reside na vida, na alegria, na relação inclusiva, no amor incondicional e na capacidade de transcendência. Não significa que tenhamos que dispensar a tecnociência. Sem ela não atenderíamos as demandas humanas. Mas ela não seria mais destrutiva da vida. Se no capital material a razão instrumental era seu motor, no capital espiritual é a razão cordial e sensível que organizará a vida social e a produção. Na razão cordial estão radicados os valores; dela se alimenta a vida espiritual pois produz as obras do espírito que referimos acima: o amor, a solidariedade e a transcendência.
Se no tempo dos dinossauros houvesse um observador hipotético que se perguntasse pelo próximo passo da evolução, provavelmente diria: o aparecimento de espécies de dinossauros ainda maiores e mais vorazes. Mas ele estaria enganado. Sequer imaginaria que de um pequeno mamífero que vivia na copa das árvores mais altas, alimentando-se de flores e de brotos e tremendo de medo de ser devorado pelos dinossauros, iria irromper, milhões de anos depois, algo absolutamente impensado: um ser de consciência e de inteligência - o ser humano - com uma qualidade totalmente diferente daquela dos dinossauros. Foi um passo diferente.
Cremos que agora poderá surgir um ser humano com outro passo, pois será marcado pelo inexaurível capital espiritual. Agora é o mundo do ser mais que o mundo do ter.
O próximo passo, então, seria exatamente este: descobrir o capital espiritual inesgotável e começar a organizar a vida, a produção, a sociedade e o cotidiano a partir dele. Então a economia estará a serviço da vida e a vida se imbuirá dos valores da alegria e da auto-realização, uma verdadeira alternativa ao paradigma vigente.
Mas este passo não é mecânico. É voluntário. Quer dizer, ele é oferecido à nossa liberdade. Podemos acolhe-lo como podemos também recusá-lo. Ele não se identifica com nenhuma religião. Ele é algo anterior, que emerge das virtualidades da evolução consciente. Quem o acolhe, viverá outro sentido de vida, vivenciará também um novo futuro. Os outros continuarão sofrendo os impasses do atual modo de ser e se perguntarão, angustiados, pelo seu futuro e até sobre o eventual desaparecimento da espécie humana.
Estimo que a atual crise mundial nos abre a possibilidade de um novo passo rumo a um modo de ser mais alto. Dizem por aí que Jesus, Francisco de Assis, Gandhi e tantos outros mestres do passado e do presente teriam, antecipadamente, dado já esse passo.


*Teólogo e professor emérito de ética da UERJ

2 de abril de 2008

Livros para deliciar-se


Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente ...

( Ed. De Bolso ) - 2ª Ed. 2006
Rubem Alves

Rubem Alves viaja no tempo e no espaço... entre as perdas e ganhos que temos durante a vida, recorrendo a memórias ora felizes, ora dolorosas, quase sempre com um toque de nostalgia que não é arrependimento, mas uma saudade gostosa de algo vivido em profundidade. Com extrema delicadeza chega ao coração e à mente de cada um, acordando em nós o desejo de aproveitar cada instante plenamente – pois nunca é tarde para a vida!








Ostra Feliz Não Faz Pérola - Rubem Alves
Editora: Planeta(brasil) - 2008
"Ostras felizes não fazem pérolas. Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade".









1 de abril de 2008

Fiz para você




















































Espero que dê água na boca...

Abraços.